L. 15, Abaetetuba, Pará, 2007 RSS

--------------------------- L. 15 A infância roubada. A vida começa a acabar logo cedo. O corpo franzino de uma menina sofre a dor da violência de uma terra sem lei. A vida das pequenas crianças na fronteira da expansão da violência da acumulação sem freios. A vida desses pequenos não tem valor. Pará, a terra da prostituição infantil e do trabalho escravo na lavoura. --------------------------- (A menina L. S. P., 15 anos, foi presa pela polícia de Abaetetuba - PA e mantida por quase um mes numa cela com cerca de 20 outros presos homens que dela abusaram sexualmente e a submeteram a sadismos, como queimaduras, espancamentos e estupros.) --------------------------- Participe do Abaixo-Assinado http://www.abaixoassinado.org/abaixoassinados/316 Ajude a divulgar! --------------------------- Escreva para cadeiadeabaetetuba@gmail.com ---------------------------

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Criança na prostituição é comum no município

‘Aqui é assim: se você quiser, pode escolher. Tem de oito (anos), de dez, de onze, de doze’, afirma - medindo com uma das mãos a altura de cada criança - um trabalhador do cais de Abaetetuba, para onde a adolescente L. teria sido expulsa pela polícia do município. ‘Aqui elas ficam com o cara se ele der uma ‘purucazinha’. Mas tem menina que fica por peixe, por qualquer coisa.’ ‘Puruca’ é gíria para cocaína, de consumo elevado entre menores em Abaetetuba, como tem constatado o Conselho Tutelar do município. Abaetetuba é conhecida por ser um importante entreposto na Amazônia dentro da rota da cocaína oriunda da Colômbia.

O horror de L. S. P. - iniciais referentes ao sobrenome do pai biológico - não esteve restrito, portanto, à cela que dividiu, durante quase um mês, com mais de 20 homens na Delegacia de Abaetetuba. Segundo o Conselho Tutelar, a adolescente teria sido abandonada na rua Justo Chermont, na área do Beiradão, onde está localizado um cais pobre, imundo e apinhado de urubus. Lá, trabalhadores presenciam quase que todas as noites cenas de abuso sexual e exploração sexual infantil, além do consumo de drogas por menores e violência, com registro inclusive de homicídios recentes. Nesse cenário de horror, as pessoas estão assustadas e se negam a dar entrevista sem manter o anonimato.

‘Aqui a gente vê de tudo. Tudo o que de pior você imaginar tem aqui’, diz um rapaz. Ele conta que é possível ver garotas - muitas entre 10 e 15 anos de idade - fazendo programas à luz do dia, mas afirma que a prostituição ocorre com mais frequência aos sábados, quando acontecem festas de aparelhagem numa danceteria próxima, a Bico de Chaleira. O rapaz explica que, à noite, entre as barracas da feira do cais, diversos homens procuram as garotas para realizar programas no próprio local. ‘O cara pega ela aqui mesmo, em cima da barraca. Às vezes leva pra dentro do barco, dá um pedaço de peixe e pronto. Nem precisa pagar nada.’

‘Elas são viciadas’, diz ‘Antônio’. ‘Se o cara oferecer alguma coisa, se ela for cheirar junto, ela vai.’