L. 15, Abaetetuba, Pará, 2007 RSS

--------------------------- L. 15 A infância roubada. A vida começa a acabar logo cedo. O corpo franzino de uma menina sofre a dor da violência de uma terra sem lei. A vida das pequenas crianças na fronteira da expansão da violência da acumulação sem freios. A vida desses pequenos não tem valor. Pará, a terra da prostituição infantil e do trabalho escravo na lavoura. --------------------------- (A menina L. S. P., 15 anos, foi presa pela polícia de Abaetetuba - PA e mantida por quase um mes numa cela com cerca de 20 outros presos homens que dela abusaram sexualmente e a submeteram a sadismos, como queimaduras, espancamentos e estupros.) --------------------------- Participe do Abaixo-Assinado http://www.abaixoassinado.org/abaixoassinados/316 Ajude a divulgar! --------------------------- Escreva para cadeiadeabaetetuba@gmail.com ---------------------------

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AMEAÇAS

‘Ela parecia ser amável com a gente. Depositou em nós uma confiança muito grande’, diz Maria Imaculada. Ela compunha o colegiado que esteve na Delegacia de Abaetetuba no dia 14 de novembro, junto com as conselheiras Josiane da Costa e Diva de Jesus Andrade. Lá, conta Imaculada, os policiais tentaram impedir que a menina ficasse a sós com o colegiado e a assistente social. ‘Eles estavam preocupados’, dia Imaculada. ‘Ela foi bem corajosa. Dava pra perceber que ela foi muito sincera.’

O estopim que levou à descoberta do caso foi dado através de um telefonema anônimo na tarde do dia 14 de novembro. Ao chegar à delegacia uma hora depois, o colegiado teria sido impedido de visitar a cela, onde havia somente cerca de 10 homens, por conta de um mutirão de soltura que libertara vários presos no dia anterior. ‘O superintendente não estava. A secretária confirmou que tinha uma menina lá, mas disse que ela era ‘de maior’. Um agente prisional pediu que a gente esperasse em uma salinha que eles trariam a menina, mas a gente insistiu para aguardar na frente da cela.’

Imaculada conta que a cela estava em péssimas condições de higiene e que o superintendente, ao chegar, tentou justificar que a garota era maior de idade. Naquela mesma hora, uma pessoa entregou na sede do Conselho Tutelar uma cópia da Certidão de Nascimento de L., mostrando que ela tinha 15 anos. Imaculada diz que o caso permaneceu em sigilo porque a família não sabia do ocorrido. ‘O pai pensava que ela estava com a mãe, e a mãe pensava que ela estava morando com o tio’, explica.

O Conselho Tutelar de Abaetetuba encaminhou a denúncia na segunda-feira (19) ao Ministério Público (MP) e ao Juizado da Infância e da Adolescência, por conta do recesso do feriado da Proclamação da República (15). Segundo o Conselho, a estudante contou que foi retirada da cela por um policial e abandonada no cais da cidade, recebendo ameaça para deixar a cidade. No dia que seria entregue à família, a polícia informou que ela havia fugido da delegacia. A estudante ficou desaparecida por três dias e só foi localizada no sábado (17), no cais da cidade.