L. 15, Abaetetuba, Pará, 2007 RSS

--------------------------- L. 15 A infância roubada. A vida começa a acabar logo cedo. O corpo franzino de uma menina sofre a dor da violência de uma terra sem lei. A vida das pequenas crianças na fronteira da expansão da violência da acumulação sem freios. A vida desses pequenos não tem valor. Pará, a terra da prostituição infantil e do trabalho escravo na lavoura. --------------------------- (A menina L. S. P., 15 anos, foi presa pela polícia de Abaetetuba - PA e mantida por quase um mes numa cela com cerca de 20 outros presos homens que dela abusaram sexualmente e a submeteram a sadismos, como queimaduras, espancamentos e estupros.) --------------------------- Participe do Abaixo-Assinado http://www.abaixoassinado.org/abaixoassinados/316 Ajude a divulgar! --------------------------- Escreva para cadeiadeabaetetuba@gmail.com ---------------------------

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Estuprada e queimada na delegacia

Depoimento

A menor L. diz a conselho tutelar que agentes ignoravam seus gritos

Rafael Guedes
De Abaetetuba

A exceção das quintas-feiras, quando os presos recebiam a visita de suas esposas, L., a jovem que durante um mês dividiu uma cela com mais de 20 homens na Delegacia de Abaetetuba, foi obrigada, todos os dias, a manter relações sexuais com os colegas de cela em troca de comida. Durante esse período, ela foi torturada, queimada, teve os cabelos cortados e foi impedida de caminhar livremente pela cela. E embora tenha suplicado aos agentes prisionais em nome de sua condição de menor de idade, a adolescente foi ignorada pelos policiais. As denúncias compõem o depoimento que a menor prestou ainda nas dependências da delegacia, quando da visita do colegiado do Conselho Tutelar do município. A visita foi feita no dia 14 de novembro, motivada por denúncia anônima apresentada naquela tarde ao Conselho. A adolescente só seria encontrada novamente três dias depois, no cais da cidade.

O depoimento, colhido por uma assistente social, consta do Relatório de Intervenção do Centro de Referência Especializada de Assistência Social (Creas) encaminhado a órgãos e entidades como o Ministério Público, Tribunal de Justiça do Estado (TJE) e Cedeca-Emaús. Foi prestado corajosamente, segundo a conselheira tutelar Maria Imaculada Ribeiro, sob o olhar vigilante de um agente prisional e do delegado Fernando Cunha, superintendente da Polícia Civil no Baixo-Tocantins. Ao término do relato, a menor foi reconduzida para dentro da cela. No curto depoimento, a jovem revelou os dias de horror que viveu na delegacia, denunciou a total omissão dos policiais, mostrou-se carente e fragilizada e pediu uma chance para voltar para a casa do pai.